Faz-se indispensável sistematizar conceitos fundamentais das relações entre o Estado e o Direito Natural. Delimitada sob esse critério, impõe-se abordagem a enfatizar aspectos relevantes e contemporâneos do tema, pela demonstração de pressupostos da experiência jurídico-social que envolve o Estado. Com efeito, a dissertação crítica indica o vínculo entre as múltiplas ideologias e suas respectivas efetivações através desse Estado, em correspondente fenômeno jurídico; e busca, por conseguinte, comprovar a sua identificação com o justo, em defesa do ideal sempre presente na evolução do pensamento jusfilosófico. Berço do Direito Natural e estrutura da própria justiça, trata-se de doutrina que, arquétipica em suas origens informadoras, que merece resgate, a partir da máxima preocupação com o ‘homem’, com o fim de realizar os valores essenciais ao gênero humano. Afinal, num mundo como o de hoje, marcado pelos progressos da ciência e da técnica, à mercê do espírito de grandiosidade, auto-suficiência e imediatismo, impõe-se à história humana a premente necessidade de responder com sabedorias aos desafios do nosso tempo. E compreender a evolução da idéia de Estado será alcançar o que ao homem parece então faltar –a justiça em seu conteúdo no fenômeno jurídico, a possibilitar o conhecimento dos liames que a separam ou a integram ao cerne do direito. Assim, em última análise, é preciso demonstrar que a justiça deve ser realizada pelo direito, promovida no Estado, alcançada em sua concretude, sentida entre os homens, sem subtrair-se do fenômeno jurídico o que ele contém de respostas às exigências da real cidadania. Imprescindíveis, então, as contribuições à crítica para a recuperação da justiça enquanto prestigiada informadora do direito, a ele inerente, dele indissolúvel quando se quer a realização do justo, trazendo subsídios ao redirecionamento da coerção, reduzida, via de conseqüência, a representação da força concreta (física) do direito; e traduzindo a justiça, pois, na sua força interior, na sua tensão, na sua contextura racional interna. (Marcus Moreira Machado)
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