REMETENTE e DESTINATÁRIO alternam-se em TESES e ANTÍTESES. O ANTAGONISMO das CONTRADITAS alçando vôo à INTANGÍVEL verdade.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
DOMINGO, 30 DE DEZEMBRO DE 2012: "ESTADO ESPECTRAL"
O excesso moderno de governo, os documentos, os protocolos, e funcionalismo, as proibições e licenças sem fim, não protegem a vida e a prosperidade do indivíduo mais do que faria a ausência de todo esse aparelho complicado. Em troca de todos os sacrifícios, de dinheiro e de liberdade que o cidadão faz ao Estado, não recebe deste outros auxílios senão a justiça - por toda parte desmesuradamente lenta e dispendiosa -, e a instrução, que está longe, muito longe de ser acessível a todos no mesmo grau. Para obter estas mesmas vantagens, bastaria apenas uma só das numerosas restrições a que sujeitam a independência do indivíduo, do cidadão. Dizer que a liberdade individual é enfraquecida em atenção aos direitos da coletividade é ocultar a realidade; essa suposta atenção não impede que os indivíduos os sejam oprimidos, e priva a todos da maior parte de sua liberdade natural; a lei exerce de improviso e constantemente sobre todos cidadãos o constrangimento que, sem ela, algumas naturezas impetuosas exerceram talvez, em casos excepcionais, sobre alguns. A dependência em que se acha o cidadão para com as instituições do Estado não o dispensa de proteger-se a si próprio, tal qual faz o selvagem livre, com a diferença que aquele é mais inepto que este; porque desaprendeu de tomar cuidado de si próprio, não possui mais a compreensão exata de seus interesses, está acostumado desde a infância a sofrer a opressão e o constrangimento, contra o que o selvagem se revoltaria ainda mesmo com perigo de vida; o Estado incutiu-lhe na mente que as administrações e as autoridades devem ocupar-se dele em todas as situações.
Nos países onde o governo é tão simples que todo cidadão pode conhecer suas intenções, fiscalizar o trabalho, e ajudá-lo, ele considera os impostos como despesa pela qual recebe um equivalente; sabe por assim dizer o que obtém por cada soldo de imposto, e a equidade evidente de tal transação impede o mau humor de se manifestar. No Estado atual, pelo contrário, o imposto torna-se necessariamente odioso, não só pelas grandes despesas exigidas pela má construção do mecanismo governamental, como por ser em toda parte muito elevado, sua distribuição injusta, resultado de uma organização histórica da sociedade e de absurdas leis; mas o imposto é sobretudo odioso porque é determinado pelo fisco e não por virtude de um fim político racional.
Segundo a idéia moderna do Estado, o burocrata deve ser o mandatário do povo, de quem recebe os ordenados, os poderes, a consideração, o cargo. O burocrata deveria, em virtude desta idéia, considerar-se sempre servidor da nação e responsável perante ela; deveria sempre ter presente ao espírito que é nomeado para cuidar dos interesses dos particulares. Em cem leis decretadas, quer com o concurso do povo, quer sem ele, há, seguramente, noventa e nove que não têm por fim aumentar a liberdade de ação e as regalias da existência do cidadão, mas sim facilitar aos burocratas o exercício dos direitos soberanos que arrogaram para si.
Assim, lamentavelmente, ainda prevalece a premissa de que o cidadão constitui-se em propriedade desse espectro, desse fantasma impessoal chamado Estado.
(Caos Marcus)
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
SÁBADO, 29 DE DEZEMBRO DE 2012: "VERBO PRECOCE"
Cada um de nós poderia (ou ainda poderá?) readquirir a capacidade inata de pensar, recusando-se a ser mero e passivo receptor e, consequentemente, fiel depositário das babaquices jornalísticas, para reassumir a freqüência de competente transmissor e gerador de idéias. Adaptar-se, em simbiose parasitária às imposições de uma mídia monopolista é render-se à farsa da festa democrática, onde todos têm o sacrílego direito de discordar sobre tudo e qualquer coisa que não ofereça nenhum perigo à estabilização da ordem cultural vigente e vigorosa (vigorosa porque tradicional, ainda que travestida na fantasia da renovação).
Eu não sou capaz de incomodar sempre que a pré-ocupação é incomodar-se com inverossímeis incredualidades.
Não levamos tanto tempo assim para a conquista do tal Estado de Direito. Porque isso que se vê não é Estado de Direito. Então, que direitos são essas mil possibilidade de organizarmos as nossas outras mil diferenças em mais mil comitês dos “iguais”? O tempo não foi outro senão o de podermos admitir que agora já fazemos tudo aquilo que antes a censura não nos permitia: as nossas próprias bobagens. Eles, os governantes de outrora (aliás, não por coincidência, muitos ainda os mesmos de hoje), é que perderam o medo de nós (tinham algum !?). Perceberam, não oferecíamos o menor perigo. Afinal, souberam identificar o crucial: nós não temos o hábito de pensar, e por isso, quem não pensa arruina-se por imaginar que o faz.
Pré - potência é confinar-se no que pode vir a ser mas não virá. É perpetuar-se na latência do promissor postergado. Não é essa a minha vocação. Eu espero que discordem de mim sempre. Eu prefero ser totalmente desacreditado por uma nação, se ela der nota zero à espalhafatosa alegoria dos meus inebriantes discursos, e desclassificar o meu samba enredo de “pé quebrado”.
Se presidente fosse (e não quero ser presidente nem de clube da esquina), eu renunciaria imediatamente após a divulgação do pleito, somente para poder advertir os meus eleitores o quanto eles são autogovernáveis, desde que distinguam “archein” de “krátos”. Quem sabe o Brasil ficasse curado de tanta insânia, também ela, a exemplo da vinheta global, gerada na ficção, dessa vez a política. E, quem sabe, cessasse de imediato essa insistente ejaculação verbal precoce pelo país afora.
(Caos Markus)
SEXTA-FEIRA, 28 DE DEZEMBRO DE 2012: "O INDIVÍDUO, PEÇA DA ENGRENAGEM ESTATAL"
A forma de governo presumida do cezarismo é a destruição de toda a liberdade individual, e, nesse ponto, ninguém é mais anti-liberal, nem age como agente corrosivo da liberdade do que os socialistas. Qualquer experiência, seja no terreno político, social ou científico, tem que ser tomada pelos seus resultados. Após décadas de frustrada experiência socialista no Leste Europeu, será lícito perguntar se o povo brasileiro amaria a sua terra fora do ambiente de liberdade em que foi criado.
A resposta será negativa. O profundo horror que sacode a nação diante de regimes de exceção mostra que não será no sacrifício do socialismo o encontro da chave do interesse do nosso cidadão pelo Estado. Um governo de esquerda é, neste sentido, um governo anti-nacional: ele faz de seus concidadãos estrangeiros dentro da pátria; inimigos do Estado, pois que o Estado se torna o agente precípuo da opressão, da tirania, exercida por indivíduos que, se algumas vezes agem no interesse coletivo, muitas vezes também servem a interesses de camarilhas vorazes.
O socialismo é ridículo (já agora, pelos petistas, substituído por uma mal explicada "social-democracia") quando se bate pelo direito das minorias, pois, achando-se o direito das minorais baseado nos direitos do homem, e o socialismo sendo um vilipendiador desses direitos, que são os germes ativos, fecundos e estimuladores do progresso social; não há como possa conciliar-se dentro de um mesmo boné os direitos do homem e o seu fetichismo pelos direitos imprescritíveis, sagrados, inalienáveis do Estado. Um espírito lógico não deixará de sentir a contradição entre o respeito dos direitos do homem e toda a estrutura política do socialismo. O Estado, para o socialismo, não é o que ele é para muitos, um mal necessário, uma muralha, que o instinto de conservação social levantou para se defender do excesso de agressividade, de combatividade animal do homem, um distribuidor de justiça, de polícia, mas um tutor suntuoso, magnífico, impertinente, paternal, cheio de zelo, com olhos bem grandes, arregalados, para examinar tudo o que fazemos e o que não fazemos.
O socialismo é o reflexo da metafísica “estadista”: o indivíduo não é para ele mais do que uma peça da engrenagem do Estado; e, como a peça de uma máquina, dela dissociada não terá existência útil; o indivíduo, desde que não engrene na máquina inteligente do Estado, deixa de ser um valor social, porque só naquele conjunto, embutido dentro daquele quadro, valerá qualquer coisa.
(Caos Markus)
QUINTA-FEIRA, 27 DE DEZEMBRO DE 2012: "INTELECTO ANACRÔNICO"
Já se disse, no Brasil quem faz pós-graduação é porque não foi bem graduado; algo equivalente a um "reforço". Porém, via-de-regra, o brasileiro com acesso a curso superior quer um merecido respeito porque crê na condição de "iluminado", acima de uma cultura popular, à serviço dela e, por isso, devendo ser melhor remunerado. Freqüentemente, os pais encarregam-se de detectar uma não comprovada "genialidade" em seus filhos, formando, a partir dessa pré-concepção, o preconceito da existência de uma casta de reduzido número de "talentosos" a justificar destacado lugar no cenário sócio-econômico do país. Mas, definitivamente, ainda que se fale em precocidade, essa não é um sinal premonitório de um grande talento no futuro.
Convém mesmo lembrar que se há algo admissível como característica primeira do "futuro gênio" essa reside no grau de insatisfação com o ensino comum, o chamado"espírito divergente". Naturalmente, em franca observação à maioria dos "intelectualizados" nacionais, comumente o que se verifica é o conformismo, e não a predisposição em alterar ideias arraigadas na prepotência e sedimentadas no orgulho exacerbado. E, contrária ao verdadeiro gênio, anacronicamente, uma variada gama de brasileiros busca recompensa pela vantagem da exclusividade.
Ora, por que esse lamento eterno de professores que pouco fazem além de ensebar o diploma "universitário" debaixo do sovaco, procurando bastar-se à si mesmo, relutante em admitir o seu único e real status, o de trabalhador? Por que esse queixume de advogados que muito pouco enxergam adiante de uma fantasiosa singularidade baseada na prerrogativa de elemento indispensável à administração da justiça? Por que esse pranto de médicos que não distinguem como diferença entre os seus jalecos, os paletós e gravatas dos executivos ou os crachás dos bancários, tão somente a cor das suas indumentárias, tão apenas o corte dos seus uniformes? Exatamente por isso: "uniformizaram-se" de tal maneira, padronizaram-se com tamanha distinção, que uns e outros cegaram-se diante da pequena significância que têm enquanto pessoas humana, quando não vislumbram o maior significado que deveriam ter como trabalhadores comuns, à serviço da comunidade.
Se uma voz se levanta em meio ao silêncio dos mudos "profissionais liberais", quase sempre é para justificar, com pueris argumentos, como o do dinheiro investido nos estudos, por exemplo, a hipotética diversidade, exigente de discriminação por duvidosa educação esmerada.
O brasileiro pensa que já sabe pensar só porque aprendeu a datilografar, torna-se músico porque deixou o cabelo crescer, projeta viadutos porque compra régua e compasso, defende o cliente porque "biblicamente" decorou os "versículos" e a tábua de Moisés, diagnostica porque sabe usar o termômetro e manipular "band-aid", dá aulas de política porque já leu sobre a conservação da múmia de Lenine, atribuindo a queda do comunismo ao sepultamento do líder soviético.
Em nosso acervo de "conhecimentos específicos", dominamos "aptidões especiais" desde a mecânica da manivela até o complexo sistema do DNA do jornalista Clark Kent. Diante de tanta sapiência, construirmos uma nova História, repleta de heróis abnegados, e não reconhecidos, vítimas que são de um regime "opressivo, corrupto, autoritário, segregador, etc, etc". Porém, se somos todos assim tão extraordinários, tão cheios de proezas, mas quem são os verdugos? Ou será, essa história está mal contada?
(Caos Markus)
QUARTA-FEIRA, 26 DE DEZEMBRO DE 2012: "CUPIDEZ"
A luz intensa da razão tem sido de pronto rejeitada por uma grande maioria, mais inclinada ao poder da ilusão no império das sombras que ao "sofrimento" inerente à sabedoria e à verdade. A vista turva não tolera o fulgor da percepção irrestrita. Assim, a frivolidade convive com a embustice, co-responsáveis pela impudência como prática dos pusilânimes. E complexos teoremas cuidam de dissimular espetacular vileza, equacionando de maneira aparentemente aceitável quaisquer divergências que possam suscitar riscos à supremacia da simulação.
Sistematicamente arquitetando construções de pensamentos voltados para a manutenção de uma mentalidade espartana, cada um de nós conclui pela eliminação do que é mais exato, cedendo aos encantos do que se mostra mais fascinante. Por isso essa sensação de caminharmos sobre esteira rolante, no incerto destino do eterno regresso. Por isso esse devaneio a adiar o concreto, em promessas que concedem tão somente um lenitivo, procurando impedir o verossímil. Por isso essa faculdade do poder em aproximar a casagrande e a senzala, limitando-as pelo que têm em comum -a imbecilidade dos radicais.
Os tempos, todos eles, se parecem. E os problemas de hoje se parecem muito aos de ontem. no enredo igual dos iguais homens. Quando renunciamos ao mal e às suas pompas o fazemos menos por não admiti-lo, menos por repugná-lo, do que por não estarmos à sua altura. E, se por algum momento evocamos um poder infinito, maior que o nosso, somos frágeis demais, sem a mínima estrutura para suportá-lo. A angústia daí advinda é prova cabal de uma justiça sem mérito, fruto apenas do cumprimento das leis e mandamentos pré-ordenados para a garantia provisória de uma serenidade procurada exteriormente, e não pela semelhança com o mais elevado espírito.
Diante do desmoronamento moral em que nos encontramos, vazios de substâncias, decretamos o nosso aniquilamento a cada dia, somente sendo possível evitarmos essa destruição se admitirmos decisões que importem na aceitação das advertências que conhecemos mas, no entanto, fingimos ignorância. Os fundamentos da existência vacilam ante a recusa das vozes mais íntimas, aquelas que dizem que todo os sistemas falhos estão prestes a ruir, pois que não têm respeitado a verdade acima deles mesmos, independente das fronteiras impostas às consciências forjadas na cupidez.
(Caos Markus)
sábado, 15 de dezembro de 2012
TERÇA-FEIRA, 25 DE DEZEMBRO DE 2012:"REVOLUCIONÁRIOS OU ILUMINADOS"
Resguardado, o caráter revolucionário adota fórmulas de salvação que, assim entende, erradicará os males que permeiam a sociedade. Mas, convencido do seu fracasso na aplicação prática de tais métodos, sabendo impossível a sua realização pelas atitudes isoladas e em respeito à lei, declara um novo mundo a partir do comportamento sugerido em protesto a experiências individuais, somado a idéias mais abstratas alcançadas por leituras, assembléias ou propagandas político-filosóficas. Dessa forma, na fase inicial da formação revolucionária, coexistem medidas de ordem geral - sempre utópicas - e medidas de cunho pessoal.
Diferenças essenciais, separam o indivíduo insatisfeito do rebelde, e este do revolucionário. O primeiro tem a característica do constante mau humor, criticando a tudo e a todos; o segundo vive para protestar as convenções; o terceiro não convive com nenhum regime social, por julgar-se condenado ao martírio, pela redenção da humanidade, enfim, por seu caráter universalista, onde acredita-se um mensageiro divino. Ao revolucionário não basta reformar a sociedade; quer ele ser o criador de uma outra, para o que precisa demolir as estruturas da anterior. Como um “Deus”, tem o destino traçado para a humanidade, ainda que nem todos queiram o beneplácito das suas inumanas concepções. Mais que obstinado, o revolucionário é escravo da necessidade de se fazer justiça. Aliás, injusto é, para ele, tudo aquilo que se contrapõe ao seu particular ideal de justiça.
Quando, porém, esse indivíduo se dá conta de suas limitações, corre ao encontro de um grupo com o qual possa partilhar seus magnânimos propósitos.
É nesse momento que trai os seus princípios, adotando, então, dentro de uma hierarquia organizacional, normas de conduta que nada diferem das observadas em instituições convencionais, objeto permanente de sua ação devastadora. Esse ordenamento próprio possibilita-lhe a manutenção de sua qualidade de “libertador”, resguardado de quaisquer opiniões adversas à sua nobre causa, pois que conquistou o ápice de seu magnificente projeto, e, agora, na posição de “líder”, fala em nome da emancipação do povo oprimido. O “iluminado” passa a ser o representante máximo das massas, fortalecido e protegido pelo prestígio do clã. Inaugurada a nova “instituição”, o próximo passo é a conquista do poder, quando a distância entre a atuação aparente e a real chega a seu auge. A cristalização dessa última instância em tudo espelha similaridade com o regime que se pretende depor, revestindo-se, inclusive, de feições partidárias, com plataforma política e programa de governo. Está moldado, de vez, o caráter revolucionário, a estabelecer os desígnios dos miseráveis
(Caos Markus)
SEGUNDA-FEIRA, 24 DE DEZEMBRO DE 2012: 'DESTINO REFLETIDO"
Vivemos hoje naquela na chamada "fase psicossocial", baseada num sistema de transmissão de experiência e cultura cumulativa que se reproduz e se modifica por si mesmo. Dessa forma, como um "prolongamento da evolução biológica" há que se considerar a própria evolução cultural. Assim, pois, é o homem impelido pela idéia que ele mesmo forma sobre o seu futuro. A impressão de que a evolução da vida era dirigida do exterior é agora substituída pelo surgimento da consciência criadora no espírito humano. E, é por meio da própria reflexão humana que deve prosseguir a evolução de nosso mundo.
Certamente, uma ciência intermediária entre a lógica e a psicologia concentra os seus esforços nos estudos da vida psíquica e seus conteúdo.
Com o aparecimento da reflexão, o pensamento humano se desenvolve intensamente, assegurando, então, a sequência da criação no homem como fundamento e fonte da consciência reflexa, do infinitamente ordenado. Naturalmente, enquanto aos animais resta apenas um único caminho predeterminado, já ao ser humano é possível, pelo livre arbítrio, evoluir segundo a sua própria vontade. Por depender essa evolução do comando responsável, esse processo passa do estágio do 'não-consciente' ao do 'consciente', criando nesse mesmo homem o seu dirigente próprio.
DOMINGO, 23 DE DEZEMBRO DE 2012: "ASCENSÃO SOCIAL EM PROMOÇÃO"
Muita gente anda se vendendo em baixa na cotação da auto-estima. Uma subespécie de inflação, é o que parece; o valor nominal da dignidade individual está defasado, e valor real nem se cogita. É dessa forma que órgão público virou entidade filantrópica, assistência social, caridade a que se agradece como o faz o mendigo por um prato de comida. Por isso esse péssimo hábito de se fazer de coitado para merecer o resto de comida; por isso essa coisa idiota de chamar de "doutor' qualquer um que esteja de traje esporte fino, na esperança de sobrar algum.
A miséria da república lotérica conseguiu fazer da outrora pirâmide social duas retas paralelas entre si, dando a impressão, própria à ilusão de ótica, de que nobreza e vassalagem caminham agora definitivamente juntas, encontrando-se ao final num só ponto de convergência. No caso, seria mais prudente olhar as múltiplas facetas do poliedro, ao invés de apenas observar os dois lados da mesma moeda. Porque, cara ou coroa, a moeda ainda é do rei, tanto faz, tanto fez.
Entre nós, ao ouvirmos as palavras "Não vim trazer a paz à terra, mas a luta. Quem não for por mim, será contra mim", atribuimos sua autoria a algum cântico gregoriano-panfletário de esquerda, nessa que insiste em ser a nossa vocação para tudo imitar.
'Imitar' é muita lisonja; mais corretamente deveríamos entender "papagaiar". Mas, tudo bem, dizem sempre que o Brasil é um país de contrastes em sua enorme extensão territorial, um país continental. E isso não podemos negar, Afinal, aqui convivem 'convergentes', 'divergentes' e 'emergentes' que seguem a mesma rota: a falsa ideia da ascensão social em promoção nos shoppings e magazines das cidades cujos mandatários ufanam-se disso que chamam "progresso".
'Ô! doutor, tem uma moedinha aí?'
(Caos Markus)
SÁBADO, 22 DE DEZEMBRO DE 2012: "O GERAL NO PARTICULAR"
Máximas admitidas por definitivas, mas que porém menosprezam “desordem natural” de uma cultura como a nossa, a brasileira, estarão sempre fadadas ao desparecimento precoce . Aliás , num período como o atual , marcado por uma profunda crise social e econômica, quando satisfazer os prazeres mais imeatos e fundamentais é a conduta próxima e comum a tantos quantos procurem ocultar a formidável depressão existencial a atingir toda a sociedade , torna-se impossível alguma concepção baseada em conhecimentos cuja profundidade negue o sentido de extensão pelo acúmulo e pela sucessão de instantâneos , pela soma , enfim, de ideologias e representações fragmentadas no tempo, mas reunidas na diversidade própria ao conhecimento inatingível , porque infinito.
Muito provavelmente, a revisão constante será o reconhecimento de que processo ocorre sempre por etapas, em admissão de fatos e circunstâncias supervenientes e imprevisíveis . Daí a sabedoria de quem possa identificar na multiplicidade o valor do conjunto, percebendo e respeitando igualdades , e promovendo diferenças de maneira tal a individualizá-las como característico como determinante de uma dada categoria de pessoas.
Eis, talvez, o maior pecado das elites neste país: generalizar. Porque temos um único idioma, em tão vasta extensão territorial que é a nossa, não separados por dialetos regionais nem divididos sustancialmente por disputas étnicas, a falsa ideia de um singular “universalismo” tem sido o substrato para políticas globalizantese inaptas a enxergar o elemento determinante da nossa evolução ,ou seja, a “mestiçagem” e os seus frutos ou as suas expressões aparentemente impregnadas de indensatez - as culturas várias, os múltiplos estilos, a pluralidade da “linguagens” .
Pretende-se aqui - -e, via-de-regra, no mundo todo - - a uniformização como resposta aos anseios da sociedade. Ora, se nem angústias podem ser padronizadas , certo que nem as suas origens e causas nem as suas manifestações se apresentam de forma única, como crer em projetos de governo insensíveis à prolixidade de um povo como o nacional ?
(Caos Markus)
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
SEXTA-FEIRA, 21 DE DEZEMBRO DE 2012: "BANCOS, UM JOGO DE CASSINO"
Não quero progresso. Não esse progresso a evoluir o dinheiro alheio nas mãos de uns poucos tecnocratas. Não esse progresso, pretexto para atrair o capital minguado dos desafortunados; não esse progresso a iludir a fé pública e a alimentar sempre mais a inflação.
Longe de mim as maravilhas eletrônicas dos sistemas informatizados que invariavelmente vivem a cair, exasperando clientes que de seu só tem o escorchante salário para administrar. Clientes preferenciais, cliente “mil” estrelas a se apagarem uma a uma, sempre que os privilégios da instituição bancária estão em alta (e sempre estão). Para que desfrutar da poupança e de seus rendimentos, quando na verdade isso nada mais significa do que a rendição dos que nada possuem para os verdadeiros proprietários - financistas e especuladores! É bem assim: eu poupo para que outros especulem.
Sou forçado a pensar na legalização dos cassinos. Pois, as instituições bancárias, ao que parecem, não têm outra coisa a fazer senão jogar com o dinheiro de cada um de nós. Para isso, usam e abusam das técnicas de marketing, para que o azar esteja, infelizmente, de nosso lado. Dado viciado, carta marcada, a roleta é do banqueiro que, não satisfeito, tem o displante de afirmar que nós gostamos de fila e somos viciados em inflação e recessão.
Banqueiros e bancários têm algo em comum: crêem na sua missão salvadora de administrar os nossos salários, os nossos vencimentos, os nossos rendimentos. Corretores que não são, respaldados em cláusulas leoninas a inferiorizar todos os que não têm e se vem forçados por isso a entregar-lhes uma decisão sempre unilateral. Verdadeira roleta russa, fulminando não o atirador e sim as cobaias em que se tornam os compulsoriamente correntistas de uma agência bancária. Afinal, com tanta gente no banco, é sinal de que a oferta anda menor que a procura, o suficiente para refrear a demanda. Até quando?!
(Caos Markus)
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