Questionamento absolutamente inadiável, como romper o ciclo fatal de uma história que se 'naturalizou' e perdeu o seu papel humano ?
Nessa mesma história, reflexão determinante, de que forma alterar a sua 'natureza', artificializada, um espantoso espectro, irreconhecível e estranha ao humano ser que nela vive?
Vítima de um expatriamento transcendental, o homem contemporâneo vaga sem um suficiente princípio de razão a garantir-lhe pertencer a este mundo.
Se nas limitações de outrora (sob os dogmas cartesianos de cognição) o "conhecimento" fornecia estável referência ao hoje proclamado "sujeito da história", já agora, no entanto, duvida-se da própria identidade do "eu penso" , enquanto validação do 'existir'. Quem é, afinal, esse 'eu' que 'pensa' através de mim?
Tarefa impostergável, cabe-nos construir a propriedade da história, repensando a questão da atividade do 'sujeito', do indivíduo ao coletivo, jamais distanciada da ótica marxista no materialismo-histórico, repensando a garantia dos princípios lógicos da identidade, da não-contradição e de uma razão suficiente no tempo.
Não, não há plausibilidade em qualquer propalada 'rendenção'.
É imprescindível uma nova figura da razão, em consonância com o tempo presente, tendente a reconciliar seus aspectos de dominação e calculismo com sua passividade e receptividade.
Premente, hoje, a racionalidade habilitada à nossa inserção nas incertezas da história.
O rompimento da fatalidade na história exige inicial admissão: apresenta-se habitualmente fragmentada a própria história. E dela história não somos tão-somente os tais "sujeitos".
Transcendendo a noção de progresso apartado do conceito de evolução, deveremos, sim, acumular em único espaço as experiências de outros espaços e outros tempos.
(Caos Markus)
REMETENTE e DESTINATÁRIO alternam-se em TESES e ANTÍTESES. O ANTAGONISMO das CONTRADITAS alçando vôo à INTANGÍVEL verdade.
segunda-feira, 26 de março de 2012
sábado, 24 de março de 2012
SEXTA-FEIRA, 27 DE ABRIL DE 2012: "FRONTEIRA CONCEITUAL DE UMA EDUCAÇÃO GOVERNANTE"
Ainda hoje não realizado, despertaram no século XIII os primeiros sinais de um ideal de governo moderno, em nível mundial, construído pela educação. A educação governante, onde homem em geral não seja nem servil nem oprimido, 'escravo' de um ditador ou de um Estado marcado pela demagocracia. Um governo com expressiva parcela informada, inspirada e consultada pela comunidade.
A respeito da palavra 'educação', sobre o caráter educativo do governo é que se deve pôr insistência, tanto quanto sobre o ideal da informação precedida por consulta popular.
Na efetividade, na concretude da prática conceitual da educação enquanto função coletiva e pública, e não um negócio privado, será viável encontrar a essencial distinção entre um Estado cunhado na modernidade e qualquer outro anterior.
Afinal, para os cidadãos de fato compreendê-lo, precisam (como base da formação) de um pré-requisito: ser informados. Só depois poderão e deverão ser consultados.
Assim como antes de poder julgar, deve-se conhecer processo e provas; previamente a decisões, impõe-se a confirmação do saber.
Criando escolas e tornando literatura e saber universalmente acessíveis, ao invés de abrir seções eleitorais, expande-se outro caminho, a nos conduzir da submissão a algo próximo ao Estado voluntário e cooperativo; concepção fronteiriça entre o aquém da modernidade idealizada e o além típico à contemporaneidade.
O voto em si mesmo é coisa sem valor. Há muito, e por diversificadas formas, os homens possuem o sufrágio como direito. Direito, reconhecidamente irrelevante, na práxis.
Mantido os concidadãos afastados da Educação, o direito ao voto é direito inútil ou, pior, arma perigosa.
A comunidade almejada não poderá ser fruto de mera vontade, mas sim conquista imediata da apreensão do saber, utilizado para tomar o lugar desta já conhecida e exaurida, cujos exclusivos alicerces são a fé e a obediência.
Tem nome a força capacitada a adaptar o espírito, tornando-o um nômade de liberdade, dotado de auto-confiança compatível com a cooperação, a riqueza e a segurança da civilização: Educação. E somente com seu emprego teremos Governo real, o construído pela educação governante.
(Caos Markus)
QUINTA-FEIRA, 26 DE ABRIL DE 2012: "A BRUXA SOLTA"
Fato é que o "consenso" havido em torno da Lei da Anistia é responsável pelo descenso da efetiva miltância política, inclusive. Pergunte a um jovem (de qualquer segmento social) o quanto a ele interessa a punição dos agentes do terrorismo estatal. Qualquer exceção somente confirmará a regra: nem sabem do que se trata. Quando muito, já "descobriram" que a "Ilha de Vera Cruz" era maior do que se pensava; maior mesmo que a "Terra de Santa Cruz". Mas... Cautela! Não se atreva a falar na produtora do cinema nacional 'Vera Cruz' e nem na 'Atlântica'. Você incorre no sério risco de ouvir inusitadas versões, "tipo assim": "Não é Souza Cruz?". "Atlântida? Aquela cidade perdida no fundo do mar?". Creia-me, em época de mestrado à distância, o conhecimento é longínguo. Ao menos o nosso 'mea culpa': nós permitimos; e agora, qual cinderelas, saídos do sono profundo, queremos morte à bruxa. É tarde, a bruxa... está solta, e assim permanecerá. Nós brasileiros, somos todos "desaparecidos". Desaparecemos da nossa própria História.
(Caos Markus) TERÇA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2012: "O IMPESSOAL FUNCIONAL"
Dois diferentes requisitos do poder: legitimidade e legalidade.
Na primeira, o pressuposto da 'titularidade'; na segunda, a premissa do seu próprio'exercício' .
Dois requisitos diversamente justificadores, ou não, do poder. Pois, se um poder é considerado legítimo, dele exige-se a posse de um título justo. Se invocada a sua legalidade, pretende-se então seja ele exercitado justamente. Conclui-se, a legitimidade refere-se ao 'titular do poder', enquanto a legalidade está relacionada aos 'obrigados' , quer dizer, àqueles dos quais se espera obediência.
Característica do mundo moderno, 'autoridade' é concebida como 'autoridade legal', ou seja, o comando não se opera em nome de uma 'autoridade pessoal', mas no de uma norma impessoal.
Por efeito, esse exercício não é arbitrário, ilimitado, uma dádiva ou privilégio. Antes, consiste em submissão à norma. E, por conseguinte, o próprio deve poder obedecê-la.
Esta qualidade sugere, no entanto, séria reflexão: tal conceito, o do princípio de legalidade está vinculado ao moderno conceito do Estado, na órbita, pois, do'Estado Constitucional', visando restringir a ação estatal em limites jurídicos precisos, determinados.
Questionar qual classe de legitimação nos oferece a legalidade é imperativo inescusável .
Constata-se, o Direito sempre foi forjado por uma classe dominante, hábil instrumento de manutenção dos privilégios a ela e por ela mesma politicamente outorgados através da ficção denominada 'Estado'.
No questionamento da legitimação, faz-se necessário avaliar: o poder não pensa, mas funciona (não considerada aqui a qualidade desse desempenho).
À legitimação própria e específica do Direito está correlacionada anterior legitimação política. Somente assim explica-se a imposição das intrínsecas legitimidades aos partícipes dos instrumentos normativos em sua fase criativa, posto que, residente na ação do legislador, é dotada de legitimidade política conferida pelo voto popular.
Desta maneira repensado, uma e só uma conclusão: o poder, se não obedece, deve obedecer. Quem dele exigirá a obediência serão os governados.
Se a resistência dos privilegiados é algo facilmente prognosticado, é de se pretender , em contraposição, que os governados se organizem, se mobilizem, a fim de restringir a ação estatal nos limites da legitimação popular.
Ou o poder obedece, ou o seu lugar deverá ser ocupado, revolucionariamente, por todos as vítimas desse ente vil, o Estado. Ocupação a ser dirigida -pelo povo- ao seu extermíno, justificado na máxima falência da mínima representatividade.
(Caos Markus)
sábado, 17 de março de 2012
DOMINGO, 22 DE ABRIL DE 2012: "O DISCURSO DA DESAGREGAÇÃO"
Contemporaneamente, a partir de investigações sobre a família institucional, compreendemos a perda de sentido da antiga 'autoridade familiar', num espaço cuja regulação suprema é fixada na competência (técnica) individual, condição a suprimir os pais como fontes seguras de orientação para se lidar com o mundo externo. São criadas, portanto, novas formas de 'consciência' e, por efeito, inéditas expressões psicopatológicas.
Uma outra 'força' superou a autoridade da família nuclear. No lugar da palavra dos pais, presente, hoje, o discurso 'fascinante' da "organização", qual seja, o Estado associado à grande empresa.
O processo não é assim tão aparente, do ponto de vista institucional. E de pilar da sociedade, a família, nesse discurso, passa a ser o 'lugar' onde ela própria corre o risco frequente de se desfazer.
O seu convencional padrão, substituído pela 'família liberal avançada', transforma-se em simples imagem, e mesmo discursivamente apoiada em textos escolares, na imprensa, pela Igreja, parece ser reflexo de inevitável morte do modelo.
O indivíduo, e não a individuação, adquire 'status' de superioridade, outorga que se lhe é concedida tão-somente em razão das conveniências do Estado, a quem de fato interessa a desagregação.
(Caos Markus)
SÁBADO, 21 DE ABRIL DE 2012: "HISTÓRICO DA HISTÓRIA"
Se pretendermos que a História escape desse massacre mal denominado 'progresso', é indispensável o rompimento com tudo que é "histórico". Romper com o 'temporal', com o conceito de história contínua; afastá-la da linearidade do progresso científico-tecnológico, tão ao gosto da racionalidade de dominação.
A racionalidade científica, que se faz passar pela única forma crível de 'racionalidade', não faz mais que recalcar aspectos valiosos da razão.E menospreza, assim, a sensualidade, a sensibilidade e a sensação.
O 'sensorial', generalizadamente, é considerado antagônico pela civilização repressiva; é preterido na hipertrofia da racionalidade analítica, pragmática e calculadora -marcada pelos números da ascensão social permissiva.
Apesar dos desenvolvimentos técnicos e científicos, é incontestável o que se nota com muita evidência: há uma regressão da sociedade, que se comprova pelas periódicas recaídas na barbárie, no ápice da civilização (com o renascer dos fascismos; através do ressurgimento dos nazismos; por meio do totalitarismo que se impõe).
Isso ocorre agora, quando a ciência recai na mitologia que ela buscava combater, mas, debilitada não mais possui uma destinação humana.
É ciência que se converte em mitologia porque ao invés de vencê-lo, ao contrário, este se tornou o conteúdo de uma estrutura dita "racional". Presente, então, o irracional na essência da própria razão. E a razão converte-se em vioL~encia histórica!
Disso, a constatação: para além do modo de dominação, no autoritário (sim!) Brasil, no liberalismo europeu ou no "socialismo real", sempre a mesma racionalidade produtivista e destrutivista!
Ora, não por acaso, Nietzsche proclamava a necessidade de se "reprimir" o que chamamos de "instinto de conhecimento".
Com efeito, urge novamente questionar a razão para o cumprimento das suas promessas não concretizadas; indagar de tudo o que ficou a dever às suas próprias esperanças.
Carecemos de uma racionalidade apta a nos inserir nas contingências ao nosso redor!
Precisamos da racionalidade dotada de memória, a recordar o sofrimento passado para que a catástrofe deixe de ser a história da história.
(Caos Markus) QUINTA-FEIRA, 19 DE ABRIL DE 2012: "DO CAMINHÃO À TRIBUNA, A VOZ"
Já faz muito tempo, 'quantidade' e 'qualidade' não eram confundidas entre si. Grandeza e peso, eram mensurados na casa de vários zeros à direita do algarismo inicial.
Àquela época, os 'pró qualquer coisa' alardeavam o "maciço comparecimento de mais de 500.000 pessoas" num evento por eles organizado. Os 'contra' contestavam os números, afirmando que o tal 'ato', revelara-se total 'fracasso', "não passando de 5.000 os presentes".
Muita água rolou, mesmo com a seca desde a "queda" do muro de Berlin. Nessa estiagem, muitos dos 'libertadores' da pátria não se deram conta da dízima periódica onde eles próprios confinaram a sua 'militância'.
Não era mais suficiente o brado; não fazia eco o berro. Apenas de muito longe, ouvia-se vago sussurro.
Outrora, mote para clichês do tipo "o povo unido jamais será vencido"; depois, apenas trote de quem, mal acostumado no truco, não deu ouvidos a clamores plenos de conhecimento. Um saber infelizmente preterido pelos 'combatentes' de surda 'fraternidade' (dessas onde o primogênito põe os irmãos em ordem unida até papai chegar).
Sem "know-how" e sem mobral, a 'milícia' opositora se viu forçada a trocar o caminhão de som pela tribuna, e daí a buscar remédio jurídico na 'ordem constituída' , a mesma contra a qual habitualmente dirigiam seus loquazes discursos.
Ato contínuo, a corporação, inclinada à fala mansa, se organizou em tropas de peticionários, admitindo a via legal, sempre que esta pudesse fazer as vezes dos movimentos sociais, quer 'populares', quer 'grevistas', quer isso e/ou aquilo.
O dilema, no entanto: como fazer um mundo inteiro num único dia, se os 'redentores' descansaram por décadas?! Como pretender liminares os 'luminares' dessa 'revolução com Executiva pré-determinada a conquistar assento no Executivo determinante?!
No corre-corre de quem estudou na véspera, pleitearam por mal traçadas linhas fosse proibido o futuro de acontecer, sob o fundamento fático da superveniência de hipóteses envolvendo o 'inimigo', isto é, o 'adversário'; quer dizer, o 'oponente'. Quer dizer, nada a dizer, senão que o 'direito adquirido' sobre a 'verdade libertadora' não poderia ser indeferido no pleito dos 'conquistadores militantes' por vinte e tantos anos.
Não valeu nada o alerta, muito antes, de Belchior, avisando da importância de ser apenas um rapaz latino-americano.
Assim foi, assim tem sido, assim haverá de ser pelo país afora, do braço forte, este impávido colosso. O movimento (ginga) de 'inigualáveis cristãos' de estirpe, em nome do céu e da terra, contestaram o nome da rosa, 'requerendo' através de leguminosa (abobrinha) a luminosidade já ofuscada.
E não se dando conta (outra vez!) que 'liminar' tem por origem etimológica o significado de 'soleira da porta', a 'classe operária' foi ao 'paraíso' do Alvorada.
Ora, ora! Se de fato algo de valor conhecessem, os neo-postulantes não se arriscariam a confirmar sua origem, o lugar de onde nunca passaram: a soleira da porta. Porque, porta aberta, lá fora, o antigo caminhão de som é utilizado para recolher trecos e tralhas, na reciclagem sonora feita da tribuna.
(Caos Markus)
Assinar:
Postagens (Atom)



