A alma circula. E à medida de seu movimento, ela retorna um sem número de vezes aos primórdios da personalidade: a honra e a dignidade; a coragem, a graça e o valor. Se por efeito de nossa conduta fomos muito além em uma só direção e num único sentido, passamos à frente de nós mesmos. Por efeito, já não circulamos em torno de questões proeminentes para a alma. É quando então tem-se o desejo de retornar a essas preocupações não periféricas, voltando-se ao eixo, ao que de fato merece antenção. Daí a escola, onde a personalidade se aprende. Nela a beleza se faz sentir pela primeira vez e a justiça se torna questão apaixonante. Ela, o lugar onde a honra, correndo o risco de desabar, exige a coragem; o ambiente favorável à antevisão tanto da loucura quanto da serenidade.
Na personalide, a alma que circula volta-se em direção ao eterno.(Marcus Moreira Machado)
REMETENTE e DESTINATÁRIO alternam-se em TESES e ANTÍTESES. O ANTAGONISMO das CONTRADITAS alçando vôo à INTANGÍVEL verdade.
sexta-feira, 14 de março de 2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
SÁBADO, 15 DE MARÇO DE 2008: "DEUS TRADUZIDO".
Primeiro as coisas, depois as palavras. Inicialmente, descobrimos as coisas, depois as palavras que equivalem a elas. Pelo menos é assim que funciona com os seres humanos. Com Deus é o contrário. "No princípio era o Verbo": primeiro Ele falou; depois, as coisas vieram a existir. Então, a pergunta: será que Deus falava antes da Criação? Ao que parece, enquanto o Espírito de Deus se movia sobre as águas, só havia silêncio. Quando Ele falou, que língua usou? Tendo em vista que cada palavra dele dava origem a uma nova criação, por que não chamar a sua forma de expressão de 'linguagem das coisas'? Seriam as palavras de Deus os oceanos, as estrelas, os animais? Qual era o Verbo de Deus?(Marcus Moreira Machado)
quarta-feira, 12 de março de 2008
SEXTA-FEIRA, 14 DE MARÇO DE 2008: "REPRESENTAÇÃO ATUANTE".
A suposta identidade da vida psíquica e da vida consciente não parece resistir à prova dos fatos. E os fatos, neste domínio, são resultados experimentais, onde se apanha em flagrante delito a existência de 'idéias', 'lembranças' inconscientes: observações minuciosas que 'provam' uma vida psíquica inconsciente revelando sua ação causal sobre o consciente. A existência de representações inconscientes aparece objetivamente na sua própria ação; e a verdadeira demonstração do inconsciente reside, portanto, no fato real e observável segundo o qual estados psicológicos não conscientes têm 'efeitos' conscientes; e, inversamente, estados psicológicos conscientes podem ser 'inexplicáveis', se não se faz apelo às causas psíquicas inconscientes. (Marcus Moreira Machado)
QUINTA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 2008: "FALÊNCIA DA AUTONOMIA".
Todo pensamento em conflito com o triunfalismo vigente tem função crítica. A sociedade dominada pela racionalidade da ciência e da técnica, isto é, pela 'ideologia do progresso', é arquivamento do passado, perda da memória, procedimento necessário para que o presente em 'falso movimento' (movimento de mercadorias e não da ação humana) seja tomado como história enquanto tal. Mundo petrificado este, no qual as 'mercadorias' se reconhecem a si mesmas em um 'universo' que elas próprias criaram. O indivíduo autônomo, consciente de seus fins, caminha em direção à sua falência, ao desaparecimento. É ele que deve ser resgatado. A idéia de progresso e de história universal constitui ilusão, a de que existe uma humanidade idêntica a si mesma e que segue de maneira unitária e harmônica. Todavia, não se pode olvidar: há o progresso e, também, as vítimas do progresso! (Marcus Moreira Machado)
terça-feira, 11 de março de 2008
QUARTA-FEIRA, 12 DE MARÇO DE 2008: "CONJUNTO VAZIO".
Um exemplo bastará: refletir sobre o que se passa nesse paraíso do anticomunismo que se supõe ser os Estados Unidos hoje. Se não é essa a questão, é verdade, porém, que, na mesma medida, ela não é ouvida ou compreendida. Ingenuidade das elites americanas. Desconhecimento de um problema que elas nunca enfrentaram verdadeiramente. Marxismo insidioso de uma universidade atingida pela má consciência do macartismo. O quê falta, no contexto, é uma inteligência que tivesse -como a de europeus- sucumbido à tentação. Para, em seguida, conjurá-la. É a aposta indispensável, sem a qual um século é somente um grande vazio. Trata-se de responder com a consciência ao apelo do universal. (Marcus Moreira Machado)
segunda-feira, 10 de março de 2008
TERÇA-FEIRA, 11 DE MARÇO DE 2008: "PESSOAL NO INDIVIDUAL".
A fim de possibilitar a cada espírito humano, através de sua própria iniciativa, levar a consciência universal a um plano mais elevado, é necessário deixá-lo livre. Nessa condição se desenvolverá a sua personalidade, sempre levando em conta que é indispensável às consciências individuais apoiarem-se umas nas outras, todas a um só tempo, no objetivo da construção coletiva, tanto em seus trabalhos essencialmente materiais quanto nas suas produções intelectuais e místicas.
A maior quantidade de instrumentos mais poderosos de padronização, os meios hoje presentes na mídia, exigem, em contrapartida, o encontro de um estado de equilíbrio, pois que não está sozinha a mera palavra.
Se essas ferramentas a serviço do condicionamento obrigatoriamente se transformassem em meios de coação imediata das consciências, em toda a humanidade, o resultado seria nefasto.
A solução que se impõe, portanto, é tornar viável ambiente em que o 'pessoal' diferencie o 'individual', pela personalização da cada consciência humana, superando a resignação passiva, indo além da aceitação impensada, alcançando então o consentimento idealista e edificante. (Marcus Moreira Machado)
domingo, 9 de março de 2008
SEGUNDA-FEIRA, 10 DE MARÇO DE 2008: "IDÉIA CARACTERIZADA".
Em qualquer cultura a idéia de caráter é indispensável. Ausente a noção, não haverá um mais amplo contexto, abrangente e duradouro para ser refletido, considerado, observado. Ao invés disso, apenas vulgos conjuntos de pessoas cujas extravagâncias não possuem grandeza, cujas projeções são desprovidas de repercussão, constatadas somente enquanto categorias quantitativas, ou seja, classificadas conforme a idade, a nacionalidade, a renda, a religião.
Isso tudo somado não é ninguém determinado, não é a individualidade presente com seus atributos. Sem a idéia caracterizada, o valor de uma pessoa é sempre efêmero. Não assimilado o conceito de caráter, o indivíduo é facilmente substituível. E, via de consequência, a pessoa é também descartável. Em decorrência, a ordem social cai em completa desorganização, ante o vazio deixado por tantos substitutos.
Ora, o próprio caráter torna-se dissoluto, uma ficção.
A idéia caracterizada, a noção de caráter, ao contrário, assegura, através de diligente investigação, um olhar mais atento àquilo que se afigura instantâneo. A imagem daí consequente aguça a imaginação, despertando o interesse pelo seu maior conhecimento, pela precisão de sua identidade.
Sem hesitação, o caráter firmado é fonte de conjecturas, nascente de novas concepções que acrescentam outros sentidos de vida à vida de cada um, mesmo quando todos enfraquecem enquanto realidades. A 'pessoa' perdura, então, na 'criação' do mundo humano, produzindo narrativas de existências reais.(Marcus Moreira Machado)
quinta-feira, 6 de março de 2008
DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2008: "HUMANO AUSENTE".
Formulada para solucionar o enigma do universo, a ciência contemporânea é cada vez mais intervencionista, terminando por instituir-se como rejeição do seu sujeito. Nas ciências humanas, o homem tornou-se um inaceitável ausente, embora não tenha ele sido eliminado. Essa ausência do ser humano deve ser entendida, ao contrário, como um modo de ele estar presente nas ciências humanas. Porém, de uma maneira a não fazer daquele que o afirme, nem um mero objeto natural nem uma subjetividade, tampouco uma simples exigência moral ou ideológica. Essa ausência não pode significar, entretanto, indeterminação.
Atualmente, a engenhosidade científica do homem parece ser encoberta pelas obras de maior evidência, assim caracterizando o espaço em que se produzem os acontecimentos humanos. Trata-se de operações um tanto camufladas pelos resultados que lhes dão suporte e as alienam no reducionismo de coisas vagas, quer dizer, de realidades apenas baseadas na experiência.
Assim, pois, enquanto o mundo deixou de ser uma representação para o cientista, o homem tornou-se um desejo, uma vontade de poder, de administração, dominação e controvérsia. E, com efeito, é perceptível a substituição da lógica teórica por um grau de certeza do conhecimento admitido por aproximação, numa imprecisa idéia de realização.
Os conceitos científicos, agora, são restritamente 'produtivos', elevando o racionalismo à condição de verdadeira militância, em menosprezo à própria humanidade.(Marcus Moreira Machado)
quarta-feira, 5 de março de 2008
SÁBADO, 8 DE MARÇO DE 2008: "CÍRCULOS E CICLOS, A VIDA EM MOVIMENTO".
Assentado em fundamental proposição, no mito do 'eterno retorno' o tempo é cíclico, ou seja, o que agora ocorre já houve antes e, primordialmente, outra vez acontecerá. É repetição que reflete a eternidade temporal cósmica. A vida no mundo, mutante, é regida por modelos estáveis, divinizados, ou através de energias arquétipicas. No tempo secular, a vida no mundo movimenta-se adiante, quase sempre alheia aos padrões míticos que ela mesma repete, sem que deles possa escapar.
Na compreensão do novo é imprescindível voltar ao antigo, porque o recente é o ressurgir do remoto.
Duas modalidades de tempo, conforme os mitos que o encerram, contrastam entre si. Assim, o secular e o sagrado; o racional e o místico; o que para a frente avança e o circunscrito à circularidade.
Nessas circunstâncias, a direção do corpo é uma linha reta, enquanto a alma circula em direção de si mesma, num movimento de concentração da consciência em si própria; da intelectualidade, do viver a vida; tudo nela inserido, nada em lugar algum fora dela.
Em razão desses variados movimentos, a projeção do corpo para a frente é limitada pela alma. Em meio ao ofício de viver, nos tênues momentos de indecisão é que a alma se faz presente com o seu poder de restringir. É vida que segue. (Marcus Moreira Machado)
SEXTA-FEIRA, 7 DE MARÇO DE 2008: "IDENTIDADE NA ESTRUTURA UNIVERSALISTA".
Sob a consideração de que as novas relações de produção, inclusive as culturais, exigem complementação à teoria marxista; e, por seu turno, as instituições especializadas na intersubjetividade do acordo demonstram que as suas co-respectivas estruturas são também constitutivas para os sistemas sociais, equiparadas às estruturas da personalidade; hoje, nada mais razoável que a união entre Psicologia (no caso, o estruturalismo genético) e Direito.
Com efeito, os fundamentos da intersubjetividade são planos de ações comunicativas, tanto quanto as bases da personalidade são observadas sob o prisma da capacidade de linguagem e de ação.
Ora, nas sociedades contemporâneas, o direito apresenta uma estrutura universalista( tradicionalmente de cunho judaico-cristão e originariamente grega, no o aspecto da compreensão do ser em si mesmo), arcabouço este que com a economia capitalista sofre um abalo de espécie subjetivista, manifestado na moderna filosofia. Entretanto, o direito é identificado na razão prática, antagonicamente ao grau de certeza dos valores do ser humano.
Certo é que nas sociedades modernas o princípio capitalista de organização ocorre através do direito privado burguês, de feições universalistas. Nestas estruturas, rompida a identidade convencional, os indivíduos emancipados da sociedade burguesa vinculam-se uns aos outros pelos princípios da 'legalidade', da 'moralidade' e da 'soberania'.
Neste sentido, o materialismo histórico está ligado às filosofias burguesas da história, construindo uma identidade coletiva compatível com a estrutura universalista do 'individual', consoante a internacionalização peculiar ao socialismo.
A justaposição entre o 'individual' e a evolução social leva a idéias morais, de um lado, e jurídicas, de outro. E assim, direito e moral regulamentam o consenso nos conflitos de ação. O que, vale ressaltar, significa a utilização dos dois institutos na manutenção contra o que possa parecer ameaça oriunda de uma intersubjetividade consensual entre sujeitos capazes de linguagem e ação.(Marcus Moreira Machado)
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